sexta-feira, 18 de julho de 2008

"Diz-se que o elefante indiano às vezes chora", Charles Darwin.

"This image is copyright © 2002-06 by Hank Hammatt and used with permission".


Elephant Care International

Somos coniventes?


por Adriana Costa Tourinho



Minha doutrina é esta: se nós vemos coisas erradas ou crueldades, as quais temos o poder de evitar e nada fazemos, nós somos coniventes.
Anna Sewell
[1]


Você come carne de outros animais? Associa a carne que come nas refeições a um animal não-humano que esteve vivo? Tem consciência do processo pelo qual esse animal passou até chegar à prateleira de um supermercado? Você entende que os animais não-humanos têm vidas emocionais, que desejam a vida e lutam por ela? As respostas residem em cada um de nós, a partir de como vemos, percebemos e entendemos as outras espécies e a nossa.

Estamos acostumados a ver as carnes embaladas e esquecidos do processo realizado até que aquela carne chegue à prateleira. Estamos acostumados a não dar importância à vida dos animais não-humanos, como seres vivos e sencientes (do Lat. sentiente, adj. 2 gén., que sente; que tem sensações; sensível.) que são. Tratados como coisas, não passam de meros objetos semoventes disponíveis como mercadoria para o homem. O autor Peter Singer [1], em seu livro “Libertação Animal”, diz que há algo que podemos fazer como “assumir a responsabilidade por nossa própria vida, tornando-a o mais isenta de crueldade que pudermos” (Ed. rev. - Porto Alegre, São Paulo: Lugano, 2004, p. 180).

Comer ou não comer carne é uma opção que pode ser adotada a partir de uma tomada de consciência a cerca da crueldade e matança praticadas contra os animais não-humanos ou pela simples adoção de uma dieta alimentar vegetariana. Em qualquer dessas hipóteses, em prol ou não do bem-estar desses animais, importante ressaltarmos não se tratar de um ato simbólico, mas de um verdadeiro ato eficaz para dar fim à matança e ao sofrimento dos animais não-humanos. “O vegetarianismo é uma forma de boicote”, afirma Singer (p. 183).

Há quem não coadune com a idéia de se tornar vegetariano pelo simples fato de gostar de comer carne, não sendo, dessa forma, contrário a matança desses animais. Será que, ao menos, questionam-se quanto aos métodos intensivos de criação de animais? Será que fazem idéia de como e quais são esses métodos? Obtendo esse tipo de informação, ou em posse já dela, uma vez contra o sofrimento, seriam capazes de se oporem ao abate desnecessário e boicotarem carnes advindas da produção industrial? Se positiva a resposta, um passo importante estaria sendo dado no respeito à vida desses seres, uma vez que o “o objetivo do boicote não é alterar o passado, mas impedir que as condições a que objetamos continuem” (SINGER, p. 185).

Do lat. Respondere significa não só dizer em resposta algo que se lhe tenha sido perguntado, mas “responsabilizar-se por”. Assumindo ou não a responsabilidade do sofrimento e matança dos animais não-humanos, contrários ou não a essa realidade, aptos ou não a ampliar uma ética a todos os animais não-humanos, de uma maneira ou de outra, somos responsáveis pela nossa forma de pensar e agir no mundo. Às respostas intimamente encontradas, que não sejam coniventes a crueldade e/ou matanças, mas inspiradoras a uma mudança de hábito alimentar ou boicote às grandes indústrias.




segunda-feira, 7 de julho de 2008

A percepção ambiental dos visitantes do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, Salvador-Bahia
Pós-graduação em Educação Ambiental, 2006.

A percepção ambiental dos visitantes do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, Salvador-Bahia
Pós-graduação em Educação Ambiental, 2006.

Albert Schweitzer e a Ética

por Adriana Costa Tourinho

Tornar-se um homem ético quer dizer:
começar a pensar sinceramente
.


Albert Schweitzer publicou, em 1923, uma obra intitulada Cultura e Ética (em alemão, Kultur und Ethik), na qual ensaiou sobre a tragédia da concepção ocidental do mundo. Na tentativa de abstrair do pensamento ocidental a sua concepção do mundo, obteve como resposta uma falta de cultura, em face de uma carência de afirmativa do mundo e da vida.

A concepção ética do mundo surge em meio às tentativas religiosas de fundamentar uma moral e afirmar ou negar a concepção do mundo e da vida, sendo assim otimista-ética ou pessimista-ética. A concepção otimista-ética terá reflexos na Filosofia ocidental elevando-a a categoria de convicção. Contudo, contribuir para a consciência ética, independe se a fonte é ou não religiosa. A contribuição para a consciência ética da sociedade e dos indivíduos é considerada válida pelo autor: toda a meditação devotada à Ética tem por conseqüência um aumento e um estímulo da mentalidade ética.

A força persuasiva de um pensamento ético é que vai determinar a duração do mesmo em meio à Humanidade. O problema ético encontra-se no princípio básico da Moral, fundado no pensamento, uma vez que este é ignorado. Devem-se buscar os argumentos que fundamentaram a Ética, no decorrer da História, a fim de encontrarmos na Moral, a sabedoria decisiva que devemos conquistar na luta com o pensamento.

Schweitzer, ao falar da crise da cultura e a sua causa espiritual, remete-nos a uma introspecção sobre nossos valores, os quais estão mais embasados no aspecto material do que espiritual. Eventuais acréscimos ou diminuições do conjunto de conquistas materiais não são decisivos para a cultura, cujo destino depende do domínio que os espíritos mantenham em face dos fatos; os progressos da ciência e da técnica dificultam a existência de uma concepção de ideais culturais puros. Na vida moderna, tornamo-nos criaturas dependentes de um sistema que nos impede de fazer cultura.

O genuíno princípio básico da ética deve ter caráter geral e contudo ser imensamente elementar e íntimo. Deve cativar a quem o reconhecer. Deve influir, inevitàvelmente, sobre todos os seus projetos, sem nunca se deixar relegar a um segundo plano. Não deve cessar em nenhum instante de provocar no homem uma discussão com a realidade [1].

O autor, em questão, teve obras publicadas nas áreas da teologia, religião, filosofia e história da Música. Foi por vezes premiado - prêmio Goethe, da cidade Frankfurt (1928), e o Nobel da Paz (1952) - ratificado o seu trabalho em prol da humanidade e da paz, e pelo respeito à vida (inclusive dos animais não-humanos) [2].

(...)
O Homem não será realmente ético, senão quando cumprir com a obrigação de ajudar tôda vida à qual possa acudir, e quando evitar de causar prejuízo a nenhuma criatura viva. Não perguntará então por que razão esta ou aquela vida merecerá a sua simpatia, como sendo valiosa, nem tampouco lhe interessará saber se, e a que ponto, ela fôr ainda suscetível de sensações. A vida como tal lhe será sagrada. Ele não arrancará fôlhas de árvores; não cortará flores; cuidará em não pisar em nenhum bicho. Nas noites de verão, ao trabalhar à luz da lâmpada, preferirá manter as janelas fechadas e respirar um ar viciado, a ver inseto após inseto cair na mesa com as asas queimadas.

Quando, depois da chuva, sair para a rua e enxergar uma minhoca desviada, lembrar-se-á de que ela se definhará ao calor do sol, se não regressar em tempo à terra fôfa na qual se possa esconder, e logo a retirará das pedras mortíferas, para levá-la ao gramado. Quando passar por um inseto caído numa poça de água, sacrificará o tempo necessário para estender-lhe uma fôlha ou uma haste salvadora.

Não receará que alguém zombe do seu sentimentalismo. É o destino de tôda verdade ser um objeto de escárnios, antes de encontrar reconhecimento. Outrora se considerava tolice a convicção de que os homens de côr eram realmente homens e deviam ser tratados humanamente. Essa tolice converteu-se em verdade. Hoje se julga exagerada a opinião segundo a qual a constante reverência a todos os sêres vivos, até às ínfimas manifestações de vida, representada uma reivindicação de uma Ética racional. E no entanto há de vir uma época em que nos pasmemos diante do fato de ter a Humanidade necessitado de tanto tempo para perceber que a destruição impensada de vidas é incompatível com a Ética.

A Ética é a responsabilidade infinitamente ampliada, por tudo quanto vive [3]
(...)

Albert Schweitzer está entre os meus autores preferidos no tema ética e, certamente, a leitura do seu livro requer uma releitura diária. ...À tentativa de pensar uma nova ética, englobando os animais não-humanos!

[1] SCHWEITZER, Albert. Cultura e Ética, tradução de Herbert Caro, p.47, Edições Melhoramentos, São Paulo - SP.
[2]
Nobelprize.org- Schweitzer´s biography.
[3] SCHWEITZER, Albert. Cultura e Ética, tradução de Herbert Caro, p.256-257, Edições Melhoramentos, São Paulo - SP.

Nada novo sob o sol

por Adriana Costa Tourinho


Todo dia acordava com a sensação de que nada de novo iria acontecer. As mesmas coisas sempre aconteciam como o cantar do galo que morava no terreno ao lado. Associei o seu cantar à minha ida ao banheiro, não fosse isso estaria com os olhos arregalados olhando para o teto, às 4hs da manhã. Queria que as coisas tomassem um novo rumo, mas as coisas pareciam não querer mudar.

Eu também dava pouco ritmo a qualquer possibilidade de mudança. Acordava sempre com aquela sensação de cansaço, de ressaca de um dia igual ao que estava por vir. Nada me interessava muito, a rotina de fato me estressa. O novo também, já que sou bastante tímido e receoso. Gostava de passear pelos canais de televisão e ver um pouco de tudo, ao mesmo tempo. O rádio, eu ouvia quando estava no trânsito, principalmente aqueles que têm entrevista e noticiário, e acabava sempre falando sozinho, como se estivesse participando do programa. De qualquer jeito, antes isso do que ficar conversando com gente, já que há muito ruído na comunicação, muita falta de cultura, muita inveja nos olhares, muito interesse em sabe-se lá o quê e para quê.

Interessava-me mesmo em observar os outros. Nada melhor do que curtir a mediocridade alheia. Eu não compartilhava disso porque não me permitia isso. Desde cedo, formei minha opinião sobre a vida e, principalmente, sobre o ser humano. Ser humano é quase impossível, mais fácil é ser um canalha. Tem gente que é phd nisso. Eu poderia o ser, mas prefiro viver nas sombras, observando e rindo o ridículo alheio. Como se gabam de serem nada, de terem nada. Digo nada porque de fato nada são, a não ser projeções de uma mente irrequieta. Não têm nada, pois o que possuem, materialmente falando, traduz-se em lixo mal utilizado em vida e não aproveitado pelo dono depois que morre. Junto a isso tudo, ou a esse mundo vazio, vêm os discursos inflamados, que de nada servem também.

Gosto do jeito do galo de ser porque ele vive a rotina dele, aparentemente, com prazer. Comanda o galinheiro, é cheio de galinhas e filhos ao seu redor, e não perde um segundo na hora de esbravejar ao nascer do sol! Enquanto isso, eu, ao ouvi-lo pela 1ª vez, disse em alto e bom tom: galo fdp e tive que, nos dias seguintes, adequar-me à novidade do seu cantar. Passei a ir ao banheiro, como um homem adestrado. Até que um dia o galo não mais cantou. Eu, por outro lado, ainda não perdi o costume de ir ao banheiro às 4hs da manhã.

domingo, 6 de julho de 2008

Pensare...

Albert Schweitzer (1875 - 1965), filósofo (vencedor do Prêmio Nobel de Paz de 1952):

Muito pouco da grande crueldade mostrada pelos homens pode ser atribuída realmente a um instinto cruel. A maior parte dela é resultado da falta de reflexão ou de hábitos herdados".

"O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens."

"Até que amplie o círculo de sua compaixão para todo o ser vivente, o homem não encontrará paz".

Argumentos???


"A WSPA estima que haja cerca de 7 mil ursos são mantidos em cativeiro na China em condições de extrema crueldade. Há uma grande demanda pela bílis desses ursos, que é usada na medicina chinesa".

CRUELDADE: do Lat. crudelitate; s. f., qualidade do que é cruel; acto cruel; desumanidade; barbaridade; ferocidade.


Fonte: BBC Brasil.com
Crueldade contra animais:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1351_animalcruelty/

Eis a questão

por Adriana Costa Tourinho

Especismo, nas palavras de Tom Regan:

Especiecismo é análogo a outros preconceitos morais. Racismo, por exemplo. Racistas pensam que membros de sua raça são superiores aos membros de todas as outras raças apenas porque eles (mas não outros) pertencem à raça superior. Especiecistas pensam que membros de nossa espécie são superiores a todas as outras espécies apenas porque nós (mas não outros) pertencemos à raça superior. Entretanto, assim como não há raça superior, não há também nenhuma espécie superior. A crença do especiecista não é menos preconceito que a crença do racista.

Somos todos animais, mas esquecemo-nos disso quando nos colocamos ao lado de qualquer outra espécime. A suposta superioridade humana, fundada na razão, desarmoniza a própria funcionalidade do raciocínio. Cerceamos a liberdade e o direito à vida desses outros animais justificados na necessidade civil do homem de compor a terra, de fazer ciência e cultura. Estamos muito mal acostumados. Aprendemos a fechar os olhos para as crueldades e matanças que acontecem diariamente, aceitando e repassando justificativas evasivas como resposta.

Não acredito em verdades absolutas e nem tenho resposta para todos os questionamentos sobre a relação animal humano X animais não-humanos. Acredito, contudo, que a resposta sobre o fim do sofrimento desses seres esteja em nós.

Pensar e agir de forma a não sustentar a crueldade e a matança dos outros animais é difícil por estarmos acostumados a conviver com isso, mas não é impossível e nem tarde para mudarmos. Questionar-se, esse é o primeiro passo da mudança. Defender ou não os animais não-humanos é só conseqüência da sua forma de pensar.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pensare...


Desenho: Hamilton Tadeu, NFL Zine, SP.

Anti-especismo

...


O exercício do poder de domínio e holocausto sobre os animais não-humanos configura-se, portanto, com a internalização de valores, costumes e pensamentos. Dessa configuração, manifesta no senso comum, resultou um ser humano cada vez mais afastado de condutas de compaixão, excluindo, quase sempre do debate político e moral, o tratamento dispensado aos animais não-humanos. Assim, do ponto de vista sócio-cultural, o especismo vai se firmar com vistas à necessidade humana de sobrevivência, acomodada em hábitos culturais. O seu conteúdo abrange o domínio, a escravidão, a conduta exploratória, o holocausto dos animais não-humanos em face da garantia da alimentação, vestimenta, e abrigo (espaço para crescimento das cidades), da prática da agricultura, da pecuária e da caça predatória, da crença e do lazer. No contexto atual, dá-se um passo atrás na tutela da fauna, com base nesse ponto de vista, ao se procurar justificar, por exemplo, a caça predatória de animais não-humanos que correm riscos de extinção, em determinadas regiões do país.

Do ponto de vista ético, o homem tem reduzido a moral à herança dos valores recebidos pela tradição, evitando a reflexão crítica. Pelo menos é assim que agem os seres humanos quando os valores herdados se referem ao tratamento dispensado aos animais não-humanos. Ora, é a consciência que discerne o valor moral dos nossos atos. “Portanto, para que um ato seja considerado moral, deve ser livre, consciente e intencional, mas também solidário (itálico da autora)” para com aqueles com os quais nos comprometemos, diz Maria Lúcia de Arruda Aranha[1]. No Brasil, por exemplo, o grau de consciência que permeia a relação animal humano versus animal não-humano precisa ser ampliado, refletindo em obrigações morais daqueles para com estes.

Do ponto de vista jurídico, o especismo impede que as legislações ambientais de proteção à fauna sejam elaboradas e, conseqüentemente, aplicadas em respeito aos animais não-humanos, e por que não dizer à sua integridade física e direito à vida, dentre outros, apesar disso não importar de possuírem a mesma gama de direitos que nós humanos possuímos. A Lei visa limitar o domínio da arbitrariedade de uns contra os outros[2], e se omite na hora de evitar arbitrariedades contra os outros de outras espécies. A legislação vigente reconhece a necessidade de proteção aos animais não-humanos, porquanto a fauna, por meio da sua função ecológica, possibilita a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Tal proteção visa, contudo, a favorecer o próprio homem e somente por via reflexa as demais espécies, permanecendo a idéia de prepotência quanto a estas.



[1]ARANHA & MARTINS. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2003, p. 304.
[2]SAVIGNY, Metodologia Jurídica, São Paulo: Rideel, 2005.



FONTE:

TOURINHO, Adriana. Especismo e Direito.
Trabalho de conclusão do curso de graduação em Direito, Faculdade Baiana de Ciências - FABAC, Lauro de Freitas - BA, 2007. Trecho - pgs. 15 e 16.

É assim que ocorre...

Controle de zoonoses na China.

Consciência


CONSCIÊNCIA - do Lat. conscientia; s. f., verdade; honestidade; rectidão; honradez; conhecimento, ciência; facto que produz remorso;
Psic., consciência do eu por si mesmo. - moral: função da consciência que consiste na distinção entre o bem e o mal; em -: de boa vontade; meter a mão na -: examinar com atenção os próprios actos ou sentimentos; voz da -: sentimento íntimo que nos avisa do que se passa em nós, dando-nos o conhecimento das nossas acções, aprovando-as ou reprovando-as.

...destruição impensada de vidas...

Índia.


CULTURA - do Lat. cultura; s. f., desenvolvimento intelectual, saber; utilização industrial de certos produtos naturais; estudo, elegância; esmero; conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores morais e materiais, característicos de uma sociedade; civilização.
CRUELDADE: do Lat. crudelitate; s. f., qualidade do que é cruel; acto cruel; desumanidade; barbaridade; ferocidade.

Argumentos???


Perto de sua casa.


CULTURA - do Lat. cultura; s. f., desenvolvimento intelectual, saber; utilização industrial de certos produtos naturais; estudo, elegância; esmero; conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores morais e materiais, característicos de uma sociedade; civilização.
CRUELDADE: do Lat. crudelitate; s. f., qualidade do que é cruel; acto cruel; desumanidade; barbaridade; ferocidade.

...destruição impensada de vidas...

Nepal



CULTURA - do Lat. cultura; s. f., desenvolvimento intelectual, saber; utilização industrial de certos produtos naturais; estudo, elegância; esmero; conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores morais e materiais, característicos de uma sociedade; civilização.
CRUELDADE: do Lat. crudelitate; s. f., qualidade do que é cruel; acto cruel; desumanidade; barbaridade; ferocidade.

Que há-de vir, que há-de vir ser


Que há-de vir, que há-de vir ser. Tudo não passa de pensamentos, de conjecturas. De atos ou efeitos de se estar alucinando. Vive-se agonizando, sem muitas realizações, almejando, à frente, como se possíveis de serem, ainda, realizáveis, fossem, tais pensamentos. Tudo o que se vê está ligado a um pensamento pré-moldado de algo que já se leu, ouviu ou viu num livro, numa rádio ou numa tv. Repetem-se atos e fatos. Como se emoldurados estivessem presos na parede de uma sala novamente vazia. Quando, momentaneamente, refletem-se dissemelhante aparecem aos olhos alheios. Desvarios. Que há-de vir, que há-de vir ser. Tresvarios. Realidades abstratas, contemplativas. Devotos do amanhã.


do Lat. futuru, que há de ser; s. m., tempo que há-de vir a ser; porvir; destino; Gram., tempo verbal, relativo à acção que há-de realizar-se; adj., que há-de vir; que há-de ser.
TOURINHO, Adriana Costa.

Extinção

Um dia, acordei pensando neles. No outro dia, eles não mais existiam. Extintos estavam. Encontrei fotos e relatos extensos de como eram, de como viviam em grupos, do que comiam e faziam. Que seres incríveis. Reduzidos à memória. À memória de uma fotografia e letras que, textualmente, não preenchem o vazio deixado.

do Lat. exstinctione; s. f., acto ou efeito de extinguir ou extinguir-se; abolição; cessação; supressão; destruição; extermínio; aniquilamento.
TOURINHO, Adriana Costa.


Pessoa, Fernando.