segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ajudá-los a viver, ajudarmo-nos a viver



Na qualidade do que é solidário, nem sempre está o ser humano apto a sê-lo. Quem traz consigo essa qualidade acaba virando uma referência, no mundo de hoje, de exemplo a ser seguido. Destaca-se a solidariedade como algo excepcional e não como algo natural de um viver em sociedade, já que o individualismo é que se sobressai como sendo algo "demasiadamente humano". Na Colômbia, uma professora de um bairro pobre de Cáli, Ana Julia Torres, cuida, há mais de dez anos, de qualquer espécie da fauna – animais abandonados pelos donos e os resgatados de circos, dentre outros casos - no centro de reabilitação Vila Lorena. Aqui no Brasil, o projeto voluntário SOS Passarinho Caído no Ninho é originário do trabalho de Silvana Cutello, servidora pública, que cuida de pássaros doentes e feridos, há onze anos. Quantas Anas ou Silvanas existem pelo mundo afora? O despertar para a solidariedade ainda se esbarra muito no individualismo. Ações egoísticas e o materialismo são alguns fatores que impedem alguém de ser solidário. O que se vê em alguns casos é uma pseudo-solidariedade, resumida a atos isolados e, por certo, inexpressivos, onde não há um engajamento maior e, de certo, nem se quer isso. Tudo parece conspirar para que o individualismo triunfe sempre, mesmo na iminência necessária de uma conscientização social e ambiental. Sim, há muito que se lutar para que haja uma vitória da solidariedade sobre o individualismo. Fato é que, por mais que se busque a qualidade de solidário no ser humano, este nem sempre estará apto a sê-lo. O ideal seria que cada um fizesse a sua parte, participando ou não de projetos voluntários das várias Anas e Silvanas que devem existir por aí. Agir. No melhor das conseqüências, com certeza, estar-se-ia construindo uma via de mão-dupla, onde ajudando o próximo (animal humano ou não-humano) estar-se-ia ajudando a si próprio.


Solidariedade de professora salva animais maltratados
http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=45206

Silvana Cutello, a protetora dos pássaros doentes e feridos
http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=45209

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A passos largos

No mundo, há muita discussão em torno das questões ambientais, prevalecendo, no entanto, uma falta de articulação política e social eficiente na luta por um meio ambiente equilibrado. O ordenamento jurídico brasileiro tem se mostrado interessado em assentar princípios que amparem uma vida sustentável para que seja possível garantir um meio ambiente equilibrado para todos. ONGs também têm lutado. A própria sociedade civil tem se interessado. Tudo isso, a passos largos...

Medidas têm sido tomadas nacional e internacionalmente com enfoque na crise ambiental. E.O.Wilson (1997, ps. 18 e 19), em seu artigo “A situação atual da diversidade biológica”, acredita que “tanto os cientistas quanto os que estabelecem as políticas ambientais estabeleceram sólido elo entre o desenvolvimento econômico e a conservação”. E justifica que “os problemas dos seres humanos nos trópicos são basicamente biológicos em sua origem: superpopulação, destruição do hábitat, deterioração do solo, má nutrição, doença e até mesmo – para centenas de milhões – a incerteza de ter a casa e comida de um dia para o outro”.

De fato, esses fatores por ele elencados são difíceis de serem resolvidos da noite pro dia. Contudo, mais créditos devem ser dados à educação ambiental, sem dúvidas, uma forte aliada na irradiação de busca de alternativas, na motivação de um posicionamento mais sério diante dos desafios existentes, buscando a melhoria da qualidade de vida. Está mais do que claro que, nos dias de hoje, o homem deve atuar conscientemente sobre a realidade ambiental. Espera-se assim, com a disseminação de informação e conhecimento sobre as questões ambientais, que se esteja contribuindo para a formação crítica nacional e regional e, consequentemente, para um mundo mais equilibrado social, econômica e ecologicamente.

A humanidade está enfrentando um desafio complexo. Será que o homem conseguirá mudar a sua relação com o meio ambiente, a tempo? Ao que parece, o ser humano ainda não se deu conta, por exemplo, das conseqüências do desflorestamento, onde dados apontam que “ao destruir uma árvore, na Amazônia, destrói-se a moradia de 2 mil espécies de animais” (2004, p. 525). Há perda da biodiversidade e a velocidade de extinção de espécies é algo alarmante. Não se tem uma resposta exata à questão filosófica “de onde viemos e para onde vamos”, a certeza, infelizmente, é que o desequilíbrio ecológico acentua-se a cada dia que passa e o homem continua caminhando a passos largos...


WILSON, Edward O. e PETER, Frances M. Biodiversidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2004.

Ai, que lástima!!!


O curso de Direito Ambiental é algo lastimável. Nunca li tanta letra de leis sem sentido. Uma ou outra coisa interessante, válida, engatinhando na prática, com cada vez mais gente conscientizando-se-quero-crer (vamos ser otimistas!), mas, no que diz respeito à fauna, está totalmente desajustada. Não é novidade o fato dos animais carnívoros da fauna brasileira, por exemplo, fazerem parte de uma lista da morte, mas não individual, e sim de extinção de toda uma espécie. Na minha infância, lembro-me de ter ouvido histórias sobre dinossauros e de como foram extintos de forma natural, claro, muito antes de nós humanos surgirmos. E pensem num pesadelo que não tiveram: o surgimento do homem, o exterminador do futuro em pessoa. Nenhum homem iria gostar de ter existido nesse período aí, nem provavelmente se estaria defendendo um tiranossauro de ser extinto, até porque eles eram os reis e prontamente em extinção estariam os homens. Exímios caçadores, como contam, não sobraria um humano escondido na caverna munido de pedras e projetos de lanças. O que não ocorreria no mundo seguinte, uma vez que, recheado de flora e fauna e humanos, mudariam só os personagens. O homem tomou o lugar do tiranossauro, tornando-se um legítimo predador. Não pela agilidade e força, mas pela capacidade de criar armas. Armas essas que logo estariam tirando vidas de humanos e não-humanos. Modestos, nem um pouco. Pensam estar em primeiro lugar, à frente de tudo e todos, reis, inclusive nas próprias relações humanas, rei dos reis. Pensam até em algo chamado moral e ética, mas logo se esqueceram de estendê-la às demais espécies (inclusive penaram e penam, em nome de Deus, pelas regras de conduta), verdadeiras ameaças à vida humana. E que engraçado isso, não só pelo medo de perderem a vida nos dentes de uma onça, mas também, pelo medo da perda da diversidade biológica se essa onça for destruída. Ironicamente, hoje, nós, humanos, somos gratos e, baseados em lei, estimamos pela sua existência, ó onça! Fato é que demoraram muito para perceber que o mundo é um organismo vivo. Mas, sejamos otimistas, nunca é tarde, e almejamos por um meio ambiente equilibrado (está lá na Constituição Federal). Só sei que muito sangue rolou e ainda rola e há de rolar. Entre bem passados e mal passados dessa vida pra outra (ou não, afinal, desalmados dizem ser esses seres inferiores), a não ser que pipoquem em laboratórios, os animais sofrem. Lastimável, enfim, é o Direito. Quem é leigo no assunto, talvez não saiba, mas o boi, para o mundo jurídico, é coisa que nem um carro. Bom, para mim, até hoje, é apenas um animal, por assim dizer, um indivíduo que também tem direitos. Eis que me deparo com o Direito dos animais, motivo de chacota. Saio eu da caverna junto com o tatu brasileiro. Malditos civilistas. Eu só sei que estamos acabando (emocionalmente e fisicamente) com a vida de outras espécies em detrimento da preservação da espécie humana, seja para questões habitacionais, alimentares, vestimentas, saúde, dentre outras. Queria poder ao menos dizer que vivemos numa sociedade justa, onde todos os homens têm seus direitos resguardados, moradia, alimentam-se bem e têm saúde. Mas do que adianta dizer para um nordestino, em meio à seca, que o tatu não deve ser caçado e nem comido? Releia o texto... Enquanto isso o tempo urge pra onça, pro lobo-guará e para tantos outros. Ai, que lástima!

quinta-feira, 16 de abril de 2009



Achei essa gravura e resolvi postar.

Gravura 1. He has the memory of an elephant, but his remembrances are no good.

Gravura 2. Cage whimp and chain. Who´s the animal anyway?

Gravura 3. Men descend from apes. But the apes are not proud of it.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Adoção


Suzy, cadela sem raça definida, para quem arranjei um lar.

Em busca de uma sociedade mais justa para todos

Num país como o Brasil, onde a diferença entre classes sociais é muito acirrada, falar de direito dos animais e de como os nossos cães são mau tratados é motivo de chacota ou de descaso, afinal, se for para falar de abandono, melhor falar de crianças. Em busca de uma sociedade mais justa para todos, a educação é uma porta para melhorar a condição daqueles que se encontram abandonados no nosso país.

Nos anos 80, Eduardo Dusek cantava “troque o seu cachorro por uma criança pobre”. Infeliz canção que, infelizmente, faz jus ao pensamento de muita gente. Pensamento esse, porém, falacioso. É muito fácil dizer que a situação de pobreza no país requer mais atenção do que a situação dos animais abandonados nas ruas e, assim, recriminar quem defende esses últimos. Muitos que estão por detrás desse texto sabem muito bem o que significa a “arte de não fazer nada”. Mas, mais do que isso! Mal sabem eles, ou fingem não saber, que ambos, cão e criança abandonados, são o reflexo de uma sociedade sem educação.

Muitos cães encontram-se abandonados nas ruas de Salvador. Famintos, doentes e carentes, a maioria é composta de cães sem raça definida. Entregues à bondade de uns e aos maus tratos de outros, seguem como andarilhos urbanos, sem destino algum... A sociedade deveria se unir, exigindo por uma educação efetiva e eficaz, onde não só a noção de responsabilidade para com os cães seja absorvida, mas para com o planeta, a comunidade e si próprio.

O reflexo de uma sociedade de cães abandonados é o reflexo também de uma falta de educação e descaso com vidas, que, com certeza, continuará se refletindo nas crianças do nosso país. No fundo, a questão não é cão ou criança abandonado a ser adotado. O problema é a falta de discernimento do povo, falta de educação. Uns dizem que é o clima, outros a história de colonização do país. Eu simplesmente acho que é falta de educação + bom senso + amor.

Adoptar (òt) - v. tr. 1. Tomar por filho. 2. Escolher e seguir. 3. Perfilhar.

sexta-feira, 10 de abril de 2009


“O que é que há, velhinho"?


A espera pelos ovos do coelho da páscoa é uma tradição antiga, onde a figura do coelho encontra-se simbolicamente relacionada à data comemorativa da ressurreição de Cristo. Bom, não sou nem um pouco religiosa e para não vir a cometer algumas blasfêmias, melhor cocentrar-me no coelho, não como uma figura capitalista de festa cristã, mas apenas como um animal.

Quem nunca olhou para um coelho e exclamou - que fofo que és?! Eu sempre gostei de coelhos. Figuras curiosas, de orelhas grandes, felpudos e olhos expressivos. Presentes em histórias infantis, desenhos animados, enfim, desempenham sempre um papel de fofura, agilidade, astúcia... Exceto, é claro, pela obra cinematográfica do magistral Monthy Python que conseguiu fazer de um coelho, um assassino temido por todos.

Afastada a magia que envolvem as crianças – e adultos também - acerca dos coelhos, infelizmente, a realidade que os acolhe é outra. São maltratados; privados da liberdade, sendo criados em locais pequenos; são utilizados em experimentos - a fim de produção de conhecimento científico; são abatidos cruelmente para obtenção de carne - alimento e de pelagem – confecção de roupas e acessórios, além de servirem como alvos de caça esportiva - tradição. Ou seja, apesar de estar associada aos coelhos a idéia de que são fofos, a idéia principal parece não surtir efeito ou ter sentido - a idéia de vida, de que estão vivos, de que são seres vivos.

Algumas ONGs lutam para chamar a atenção para o direito dos animais, a fim de sensibilizar as pessoas quanto à vida que se esvai em meio a um comércio e costumes cruéis. Pode-se optar por uma ética pela vida. São mudanças diárias, difíceis, mas com um único foco: a vida. Pesquisar, conhecer, pensar, acreditar, querer e mudar. Como diria Pernalonga, em outras palavras “é claro que você sabe que isso significa guerra"! (Ouça em inglês: "Of course you realize... this means war" http://www.youtube.com/watch?v=QBml1XZDg3w ). ...Falo de transformação moral, ética pela vida.

“Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação à natureza e aos animais” (Victor Hugo).
Desejo aos amigos e amigas um ótimo feriado, com um coração mais ainda compassivo.


Fique de olho:

$ Pesquisando na internet, descobri uma ONG – House Rabbit Society (http://www.rabbit.org/) que chama a atenção para que os coelhinhos não sejam tratados como objetos descartáveis após a Páscoa, época em que a procura por esses seres vivos, para serem dados de presente, aumenta. Uma vez adotados, que sejam parte da família, na certeza que terão pela frente uma vida a ser vivida.

$$ Não poderia deixar de falar dos experimentos realizados em coelhos, em benefício humano. Não resumo a negação a esses experimentos ao fato de se tratarem de bichos fofinhos, como muitos pensam. Ao tratar desse assunto, falo de ética pela vida. Fico com as palavras de Peter Singer, “certamente um dia, porém, os filhos de nossos filhos, ao lerem sobre o que era feito nos laboratórios no século XX, terão a mesma sensação de horror e incredulidade perante o que as pessoas, tão civilizadas em outras áreas, puderam fazer, como o que sentimos quando lemos sobre as atrocidades cometidas nas arenas pelos gladiadores romanos ou no comércio de escravos do século XVIII” (Libertação Animal, p. 105., SP: Lugano, 2004).

-> Aprendam a olhar os coelhos como seres com vida. Ensinem aos seus filhos a amarem os coelhos como seres repletos de vida. Ampliem a esses fofos coelhos o respeito que tem pela vida e celebração desta.

->Visitem o site do PETA e leiam o artigo Celebrate a Cruelty-Free Easter. Site: http://www.peta.org/feat/easter/index.html



Imagem de Pierre-Paul Prud'hon.