sexta-feira, 10 de abril de 2009

“O que é que há, velhinho"?


A espera pelos ovos do coelho da páscoa é uma tradição antiga, onde a figura do coelho encontra-se simbolicamente relacionada à data comemorativa da ressurreição de Cristo. Bom, não sou nem um pouco religiosa e para não vir a cometer algumas blasfêmias, melhor cocentrar-me no coelho, não como uma figura capitalista de festa cristã, mas apenas como um animal.

Quem nunca olhou para um coelho e exclamou - que fofo que és?! Eu sempre gostei de coelhos. Figuras curiosas, de orelhas grandes, felpudos e olhos expressivos. Presentes em histórias infantis, desenhos animados, enfim, desempenham sempre um papel de fofura, agilidade, astúcia... Exceto, é claro, pela obra cinematográfica do magistral Monthy Python que conseguiu fazer de um coelho, um assassino temido por todos.

Afastada a magia que envolvem as crianças – e adultos também - acerca dos coelhos, infelizmente, a realidade que os acolhe é outra. São maltratados; privados da liberdade, sendo criados em locais pequenos; são utilizados em experimentos - a fim de produção de conhecimento científico; são abatidos cruelmente para obtenção de carne - alimento e de pelagem – confecção de roupas e acessórios, além de servirem como alvos de caça esportiva - tradição. Ou seja, apesar de estar associada aos coelhos a idéia de que são fofos, a idéia principal parece não surtir efeito ou ter sentido - a idéia de vida, de que estão vivos, de que são seres vivos.

Algumas ONGs lutam para chamar a atenção para o direito dos animais, a fim de sensibilizar as pessoas quanto à vida que se esvai em meio a um comércio e costumes cruéis. Pode-se optar por uma ética pela vida. São mudanças diárias, difíceis, mas com um único foco: a vida. Pesquisar, conhecer, pensar, acreditar, querer e mudar. Como diria Pernalonga, em outras palavras “é claro que você sabe que isso significa guerra"! (Ouça em inglês: "Of course you realize... this means war" http://www.youtube.com/watch?v=QBml1XZDg3w ). ...Falo de transformação moral, ética pela vida.

“Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação à natureza e aos animais” (Victor Hugo).
Desejo aos amigos e amigas um ótimo feriado, com um coração mais ainda compassivo.


Fique de olho:

$ Pesquisando na internet, descobri uma ONG – House Rabbit Society (http://www.rabbit.org/) que chama a atenção para que os coelhinhos não sejam tratados como objetos descartáveis após a Páscoa, época em que a procura por esses seres vivos, para serem dados de presente, aumenta. Uma vez adotados, que sejam parte da família, na certeza que terão pela frente uma vida a ser vivida.

$$ Não poderia deixar de falar dos experimentos realizados em coelhos, em benefício humano. Não resumo a negação a esses experimentos ao fato de se tratarem de bichos fofinhos, como muitos pensam. Ao tratar desse assunto, falo de ética pela vida. Fico com as palavras de Peter Singer, “certamente um dia, porém, os filhos de nossos filhos, ao lerem sobre o que era feito nos laboratórios no século XX, terão a mesma sensação de horror e incredulidade perante o que as pessoas, tão civilizadas em outras áreas, puderam fazer, como o que sentimos quando lemos sobre as atrocidades cometidas nas arenas pelos gladiadores romanos ou no comércio de escravos do século XVIII” (Libertação Animal, p. 105., SP: Lugano, 2004).

-> Aprendam a olhar os coelhos como seres com vida. Ensinem aos seus filhos a amarem os coelhos como seres repletos de vida. Ampliem a esses fofos coelhos o respeito que tem pela vida e celebração desta.

->Visitem o site do PETA e leiam o artigo Celebrate a Cruelty-Free Easter. Site: http://www.peta.org/feat/easter/index.html



Imagem de Pierre-Paul Prud'hon.

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