quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Entre a cruz e a espada

Se alguém me contasse que estão pensando em tirar chifres de rinocerontes a fim de coibir a sua caça, eu riria como se estivesse ouvindo uma piada. O pior é que é verdade! Na África do Sul, o governo cogita essa hipótese como solução para proteger os rinocerontes dos caçadores de chifres.
A caça voraz tem por base uma crendice de que o pó dos chifres dos rinocerontes seria útil na cura de febre, pressão alta e câncer. Diz-se também que serve como afrodisíaco, além de ser fonte de juventude eterna.
A figura do rinoceronte transmite força, energia, coragem, qualidades desejáveis por boa parte da humanidade. Por isso mesmo, há uma busca dessas qualidades em seres que apresentam características físicas e comportamentais poderosas. Para cada parte do corpo de um animal, ou ele no todo, há um costume, mito, uma crença ridícula envolvida, um folclore, uma bobagem. E, em nome disso, destroem, aprisionam, torturam, exterminam os animais não-humanos. A estagnação da consciência com relação à realidade vital desses seres dá impulsos apenas a pensamentos primitivos de domínio, com ou sem absorção desses mitos – depende de cada caso. É como se o homem quisesse sugar desses animais as suas almas (que a maioria refuta a possibilidade deles as terem).
Lembra-se do Popeye, de como ele ficava ao comer espinafre? É com a mesma intenção de ficar igual ao Popeye, que o homem consome pó de chifre de rinoceronte: tornar-se forte, viril e saudável. Fato é que, tanto o espinafre, quanto o pó do chifre do rinoceronte não são ingredientes para receitas prontas e poderosas com fins de superar obstáculos da vida e de se tornar um super-homem. Somos fracos, ignorantes, perversos e só vencemos e perpetuamos a nossa espécie porque temos armas para lutar.

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